Surgimento e onipresença da cibercultura
A cibercultura começou a se fazer presente na vida das pessoas comuns, já na década de 80, com a introdução dos microcomputadores pessoais e portáteis. As telas dos computadores estabeleceram uma interface entre a eletricidade biológica e tecnológica, e entre o utilizador e as redes.
Assim nascia a cultura da velocidade e das redes que trouxe consigo a necessidade de simultaneamente acelerar e humanizar a nossa interação com as máquinas. Cada um pode tornar-se produtor, criador, compositor, montador, apresentador e difusor de seus próprios produtos. Com isso, entramos numa terceira era midiática, a Cibercultura.
A cibercultura decisivamente encontra sua face no computador, nas suas requisições e possibilidades. Ela é descentralizada, reticulada, baseada em módulos autônomos. Materializa-se em estruturas de informação que veiculam signos imateriais, que são feitos de luzes e bytes, signos evanescentes, voláteis, mas recuperáveis a qualquer instante. Segundo Kerckhove, essa nova forma de cultura é o resultado da multiplicação da massa pela velocidade. “a expressão literal da cibercultura é a florescente indústria de máquinas de realidade virtual que nos permitem entrar na tela do vídeo e do computador e sondar a interminável profundidade da criatividade humana na ciência, arte e tecnologia.”

O ciberespaço e a cultura que ele gera não se limitam ao desktop. A fonte fundamental da cibercultura está no microprocessador. O primeiro microprocessador surgiu em 1971, graças aos pesquisadores da Intel, sociedade de componentes eletrônicos. O instrumento modificou a sociedade humana, seus efeitos repercutiram por toda a economia e sua onipresença se faz sentir dos telefones ao televisores, passando pelos videocasstese DVD players e, é claro, os microcomputadores.
Na mesma progressão, os chips ficaram mais miniaturizados, potentes e baratos, e hoje estão presentes nos celulares, terminais bancários, geladeiras, smart cards e muitas outras formas eletrônicas que utilizamos diariamente e que se tornaram essenciais à vida social e se constituem nas condições para a criação da cibercultura.
Um fervilhar de publicações impressas e um pipocamento incessante de sites na internet exibindo uma semiodiversidade indescritível falam hoje em nome dessa nova forma de cultura. Os estudos sobre cibercultura estão sobretudo voltados para as construções culturais e reconstruções nas quais as tecnologias atuais se baseiam e que, conversivamente, contribuem para desenvolver.
Ao mesmo tempo em que a cibercultura pode causar receio e estranhamento, causa curiosidade e encantamento. Tanto que é constantemente retratada na cultura pop, principalmente no cinema na música e na literatura. Os exemplos de manifestações artísticas relacionadas à cibercultura são inúmeros. Filmes como Blade Runner, A Ilha, Eu robô, A fortaleza, Matrix e A.I. retratam a idéia que sempre esteve no imaginário popular, a de ensinar as máquinas. O problema é que na maioria das histórias o resultado deste ensinamento é desastroso e triste, tanto para a máquina como para o homem.