Postado em Pessoal em 20 20UTC Setembro 20UTC 2008 por Mônica Patrícia
Era uma vez, um menino sardento chamado André…
Não sei como foi a sua infância e a sua adolescência, nos conhecemos já adultos. Mas acredito que o pequeno André não era muito diferente do cara engraçado e sorridente que encontrei num domingo à noite, depois de muitas cervejas… E que acabou se tornando parceiro de festa, colega de escola de samba e amigo.
O menino cresceu, virou motorista de ônibus e sinônimo de alegria e diversão. Tinha muitos amigos, gostava de carnaval e para encontrá-lo nos fins de semana, era só procurar a festa mais movimentada. Era sempre o mais animado e muitas vezes o mais disputado… No entanto, mesmo cercado de “meninas”, sempre dava atenção a todos os amigos. Estava sempre circulando, dançando e cumprimentando todo mundo.
Tenho um amigo professor que mora em cidade de imigração alemã no interior do Estado. Conversando com esse amigo por telefone, em uma das nossas madrugadas solitárias, ele perguntou se eu conhecia algum André. Porque uma amiga muito querida dele estava namorando um cara da minha cidade com esse nome. Na hora, pensei no “menino sardento”.
Algum tempo depois, encontrei com o André em um dos ensaios da nossa escola de samba e lembrei de perguntar. Minha intuição estava certa, era ele mesmo o namorado na menina loira. Foi inevitável rir das coincidências e de como o mundo pode parecer pequeno…
Na realidade, eu gostaria de saber mais sobre ele, gostaria de ter encontrado com ele mais vezes, conversado mais e abraçado mais… Sempre que nos víamos, a reação dele era a mesma, abria um sorrisão e vinha caminhando de abraços abertos. E quando me abraçava dizia: “Tu é minha amigona do coração, eu gosto muito de ti, nunca esquece disso” e se despedia com a celebre frase: “A gente vai ser amigo pra sempre”.
O problema é que o pra sempre dele, foi menos do que esperávamos. Para nós, os amigos que ele fez no decorrer de três décadas de vida, o pra sempre deveria durar bem mais do que durou.
Há semanas nos perguntamos o porquê e tentamos encontrar respostas para o que aconteceu. No dia de nos despedirmos do “menino sardento”, muitas frases foram ditas, coisas como: “Deus quer pessoas boas lá em cima”
Já a minha mãe deu a explicação que mais me emocionou…
Já leste o livro “Violetas na Janela”? Eu li há alguns anos e achei engraçado. Recomendo a leitura para quem quiser encarar a passagem para outro mundo de forma mais leve.
A definição de Céu apresentada no livro é muito estranha e divertida. Quem está lá, vive como nós aqui… Trabalha, estuda, tem casa, vai ao teatro, se diverte… Tudo igual, só que em outro plano.
Então, para minha mãe, Deus estava precisando de um motorista para os circulares do céu. E esse motorista precisava ser um cara divertido, simpático e que fizesse todos se sentirem em casa. Por isso o André foi chamado. Para ser o mais novo motorista do Céu.
Postado em Jornalismo em 17 17UTC Setembro 17UTC 2008 por Mônica Patrícia
Até poucos dias atrás, eu tinha o senhor ministro da Educação, Fernando Haddad como um homem de bom senso e ciente dos atuais problemas educacionais do País. No entanto, hoje acabo de me decepcionar e muito. O Ministério da Educação – MEC estuda autorizar outros diplomados a exercer o jornalismo. A proposta de Haddad é permitir que qualquer profissional com formação superior também possa trabalhar na área. Além de inoportuna, a proposta do ministro é absurda. Tão absurda quanto a desobrigatoriedade do diploma. O ministro disse que seu objetivo não entrar na discussão travada no Supremo Tribunal Federal – STF e no Ministério do Trabalho e sim tratar da formação do jornalista.
A formação dos jornalistas vai muito bem, obrigada! O que não vai bem e que precisa ser tratada é a orgia que se tornou a nossa atividade profissional. Ingressamos na universidade e estudamos no mínimo quatro anos, redação jornalística, técnicas de reportagem, assessoria de imprensa e principalmente ética profissional. Mesmo assim, não estamos isentos de cometer erros, da mesma forma que nenhum outro profissional está, independente de sua área de atuação.
Agora imagine só, se depois de formada em Comunicação, eu decidisse trabalhar como advogada? Acho que o senhor ministro concordaria facilmente, afinal é só eu cursar algumas disciplinas técnicas do Direito e estaria apta a defender ou acusar alguém em um julgamento. Também poderia cursar algumas disciplinas de química talvez ou algo parecido e poderia no futuro trabalhar como farmacêutica. Pois, o mais importante eu tenho, meu diploma de graduação. Não importa se é na área da saúde, das ciências exatas ou das ciências humanas. Se Fernando Haddad acredita que qualquer diplomado pode trabalhar como jornalista, acho que qualquer um pode trabalhar do que quiser.
Eu proponho que de agora em diante, as universidades e faculdades disponibilizem apenas a graduação básica ou a uma graduação múltipla, com uma disciplina relacionada a cada curso ou área. No momento em que o cidadão receber o seu diploma ele decide o que “quer ser quando crescer”, músico, médico, engenheiro, malabarista, jogador de futebol.
Penso nas soluções que isso traria. Nenhum adolescente entraria em crise às vésperas do vestibular, tentando decidir qual profissão seguir. Ele simplesmente faria a tão temida provada, quem nem seria mais tão temida, porque não haveria mais nenhum curso super disputado, tudo seria uma coisa só. Estudaria quatro, cinco anos e depois de formado decidiria…
Talvez a proposta do ministro nem seja tão absurda como parece… Se o MEC aprovar esse descalabro, pode ser que aprove o mesmo para outras profissões, não é? Se isso acontecer, vou pegar meu diploma em 2009, vou cursar algumas disciplinas de anatomia em uma boa faculdade de medicina e vou procurar trabalho como médica. Se não der certo, alguns meses depois eu tento outra profissão, porque segundo Fernando Haddad o importante é a boa formação e não a questão do exercício profissional. “Sou favorável à boa formação. Não discuto a questão do exercício profissional” frase do ministro da Educação Fernando Haddad, em entrevista à Folha de São Paulo, em 17 de setembro de 2008.
Postado em Pessoal em 14 14UTC Setembro 14UTC 2008 por Mônica Patrícia
Era madrugada de sábado para domingo e eu na frente do computador, trabalhando, como muitos fins de semana anteriores e outros que viriam. Depois de horas redigindo matérias e diagramando páginas, fiz uma pequena pausa para fumar, beber alguma coisa e verificar meus e-mails.
De repente, uma frase invadiu o ambiente, dizendo “só enquanto eu respirar vou me lembrar de você”. Além da atmosfera poética que cercava aquela frase, havia a melodia simples e ao mesmo tempo elaborada. Pode parecer contraditório, mas eu vou explicar. O ritmo e a musicalidade eram simples, porém, os instrumentos davam a sofisticação. Junto com violão, baixo, bateria e teclado, estavam instrumentos de percussão quase indígenas, pandeiro, flauta e violino. Quase uma orgia musical…
Foi impossível não me voltar para a televisão, no desejo de descobrir quem era o responsável por aquela poesia musicada. Quando olhei para a tela, me deparei também com uma maravilhosa orgia visual. Mais de dez pessoas tomavam conta do palco/arena do programa Altas Horas. Todos vestidos e maquiados de palhaço, boneca de pano, bobo da corte. Enquanto alguns tocavam e cantavam, malabaristas e acrobatas divertiam e platéia e, trapezistas transformavam o teatro em picadeiro.
Fiquei completamente encantada, nunca tinha visto o trabalho daquelas pessoas e nem algo parecido. Já era muito tarde, a música acabou e Serginho Groisman se despediu dizendo que o programa voltava no próximo sábado. Senti uma frustração imensa, pois não tive tempo nem de descobrir do que se tratava.
Ascendi outro cigarro e foi procurar na internet, em cinco minutos estava entrando no site de um grupo, ou melhor, da trupe chamada O Teatro Mágico…
Fui dormir com o dia já claro. Porque além de misturar música, poesia, teatro e circo, a trupe comandada por Fernando Anitelli (responsável por todas as composições) é totalmente independente. A divulgação do trabalho é feita através da web e dos shows, com ingressos acessíveis, muitas vezes em troca de um quilo de alimento não perecível.
Este é o objetivo do Teatro Mágico, fácil acesso à cultura e ao divertimento, levando beleza e encanto a todos. Dessa forma, todas as músicas, aproximadamente 50 canções estão disponíveis para serem baixadas gratuitamente no site. Em 48 horas tinha me tornando fã e admiradora desse grupo de Osasco.
O que me desesperou por meses é que pouquíssimas pessoas do meu grande círculo de amizade sabiam do que eu estava falando. Tentei explicar por muitas vezes até que me dei conta de que na realidade, O Teatro Mágico é inexplicável. Para início de conversa, é preciso ouvir as músicas com tranqüilidade, prestando atenção na letra, na mensagem e na melodia. Depois é necessário ver a maquiagem e o figurino. Porém, ainda não é suficiente para se ter a verdadeira dimensão do que eles são e fazem…
No dia 07 de agosto, tive a oportunidade de assistir a primeira apresentação do TM no Rio Grande do Sul. O show foi no Opinião e para minha surpresa e felicidade, o local estava mega lotado. Ônibus de Pelotas, Uruguaiana e outras cidades do interior do Estado chegaram a Porto Alegre trazendo fãs que como eu estavam ansiosos para “ouvir com outros olhos” o que acompanhávamos pela internet.
Foram duas horas de encantamento… Além da presença de palco de todos eles, a acessibilidade e respeito com o público também são um diferencial. Durante uma das últimas músicas apresentadas na noite, Anitelli entregou o violão a um assistente de produção e desceu do palco para cantar e puxar um trenzinho (comum em bailes de carnaval e afins) no meio da platéia. Encerrado o show, eu e alguns amigos decidimos ficar mais um pouco, na esperança de conseguir conversar com alguém da trupe, pelo menos para parabenizar pelo espetáculo que assistimos.
Não foi preciso esperar. Quando olhamos a casa de shows, enxergamos todos os integrantes da trupe espalhados pelo local, autografando CDs, posando para fotos, abraçando os fãs, conversando e rindo, como se fizessem parte daquele grupinho, ou da platéia.
A simplicidade e a vontade de divulgar a arte sem exploração fica clara no término do show. Camisetas, CDs (que já são dois – Entrada Para Raros e Segundo Ato), adesivos, livro e DVD são vendidos em uma banquinha, por seu Adácio Anitelli – pai de Fernando. Os preços das mercadorias variam de R$ 5,00 a R$ 15,00. O valor cobrando é pouca coisa maior que o custo de produção do material. Segundo o líder da trupe, o objetivo não é ganhar dinheiro com a venda e sim divulgar o trabalho. Tanto que, ele mesmo aconselhou antes de encerrar o show “Comprem o CD ali com meu pai (se tiverem grana), se não, podem baixar todas as músicas no site. Depois disso, pirateiem à vontade (essa é uma pirataria boa e autorizada), façam muitas cópias e presenteiem os amigos. Assim estarão nos ajudando a fazer com que mais pessoas conheçam o Teatro Mágico”
Foi exatamente o que eu fiz. Já perdi a conta de quantos CDs dei de presente. Muitos adoraram, outros ainda não ouviram e alguns gostaram mas não com tanta euforia como eu. Agora, estou fazendo algumas cópias do DVD, pois com ele fica mais fácil entender o porquê de tanto encantamento.
Parece Fernando Anitelli, mas é Mônica Patrícia
Com a reativação do blog, tive a idéia de postar esse relato sobre a minha descoberta e logo em seguida, meu entusiasmo. A tietagem é tanta, que há algumas semanas fui a uma Festa à Fantasia e não tive dúvidas no momento de escolher a minha roupa… Confesso que eu mesma me surpreendi com o resultado, uma versão feminina de Fernando Anitelli. Só fiquei um pouco frustrada, porque praticamente ninguém na festa sabia do que era a minha fantasia. Esse foi um dos motivos que me levou a escrever esse texto.
Bom, agora… Acho que minha publicação já está de bom tamanho….
Sou repórter e assessora de imprensa, graduada em Jornalismo pela Unisinos. Natural de Estrela, moro em Triunfo há mais de 20 anos. E sem dúvida aquela é a minha terra.
Este blog começou como requisito da cadeira de Jornalismo On line I. Confesso que no início a idéia não me agradava. No entanto, com o fim do semestre, minha opinião a respeito de blogs foi se transformando... Nas férias, quando as postagens pararam de ser obrigatórias e a continuidade da página era uma escolha somente minha, percebi que a experiência tinha sido interessante. Estou longe de ser uma “blogueira” de plantão, até porque, quem visitar o blog vai perceber que o espaço entre uma postagem e outra é imenso. Passo meses buscando inspiração e motivação para escrever algo “pessoal” que valha à pena ser postado. Quando consigo atingir esse plano, me empolgo e acabo redigindo vários textos, que são postados imediatamente. Depois... Outros longos meses em busca de novas inspirações...