Com diploma, posso ser o que eu quiser…
Até poucos dias atrás, eu tinha o senhor ministro da Educação, Fernando Haddad como um homem de bom senso e ciente dos atuais problemas educacionais do País. No entanto, hoje acabo de me decepcionar e muito. O Ministério da Educação – MEC estuda autorizar outros diplomados a exercer o jornalismo. A proposta de Haddad é permitir que qualquer profissional com formação superior também possa trabalhar na área. Além de inoportuna, a proposta do ministro é absurda. Tão absurda quanto a desobrigatoriedade do diploma. O ministro disse que seu objetivo não entrar na discussão travada no Supremo Tribunal Federal – STF e no Ministério do Trabalho e sim tratar da formação do jornalista.
A formação dos jornalistas vai muito bem, obrigada! O que não vai bem e que precisa ser tratada é a orgia que se tornou a nossa atividade profissional. Ingressamos na universidade e estudamos no mínimo quatro anos, redação jornalística, técnicas de reportagem, assessoria de imprensa e principalmente ética profissional. Mesmo assim, não estamos isentos de cometer erros, da mesma forma que nenhum outro profissional está, independente de sua área de atuação.
Agora imagine só, se depois de formada em Comunicação, eu decidisse trabalhar como advogada? Acho que o senhor ministro concordaria facilmente, afinal é só eu cursar algumas disciplinas técnicas do Direito e estaria apta a defender ou acusar alguém em um julgamento. Também poderia cursar algumas disciplinas de química talvez ou algo parecido e poderia no futuro trabalhar como farmacêutica. Pois, o mais importante eu tenho, meu diploma de graduação. Não importa se é na área da saúde, das ciências exatas ou das ciências humanas. Se Fernando Haddad acredita que qualquer diplomado pode trabalhar como jornalista, acho que qualquer um pode trabalhar do que quiser.
Eu proponho que de agora em diante, as universidades e faculdades disponibilizem apenas a graduação básica ou a uma graduação múltipla, com uma disciplina relacionada a cada curso ou área. No momento em que o cidadão receber o seu diploma ele decide o que “quer ser quando crescer”, músico, médico, engenheiro, malabarista, jogador de futebol.
Penso nas soluções que isso traria. Nenhum adolescente entraria em crise às vésperas do vestibular, tentando decidir qual profissão seguir. Ele simplesmente faria a tão temida provada, quem nem seria mais tão temida, porque não haveria mais nenhum curso super disputado, tudo seria uma coisa só. Estudaria quatro, cinco anos e depois de formado decidiria…
Talvez a proposta do ministro nem seja tão absurda como parece… Se o MEC aprovar esse descalabro, pode ser que aprove o mesmo para outras profissões, não é? Se isso acontecer, vou pegar meu diploma em 2009, vou cursar algumas disciplinas de anatomia em uma boa faculdade de medicina e vou procurar trabalho como médica. Se não der certo, alguns meses depois eu tento outra profissão, porque segundo Fernando Haddad o importante é a boa formação e não a questão do exercício profissional. “Sou favorável à boa formação. Não discuto a questão do exercício profissional” frase do ministro da Educação Fernando Haddad, em entrevista à Folha de São Paulo, em 17 de setembro de 2008.