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Aborto: muitas dúvidas e uma certeza

Muito se fala em aborto, atualmente. As opiniões se dividem, entre aqueles que são fervorosamente contra, alegando que um aborto nada mais é do que o assassinato de bebês, os que levantam a bandeira de que este é um direito de cada mulher sobre o seu corpo e aqueles que como eu, vêem a situação de forma menos radical, nos dois ângulos.

Dizer que as mulheres que se sujeitam a passar por um aborto são assassinas é uma atitude intolerante e policialesca. Porém, alegar que as campanhas contra aborto são articuladas por setores conservadores da sociedade, com o intuito de retroceder nos “poucos avanços” que as mulheres conquistaram na área dos direitos reprodutivos é errônea e absurda.

Eu não pretendo tomar partido no assunto e também não vou levantar bandeira de pró ou de contra, apenas vou convidar a todos para uma reflexão bem simples.


Grande parte dos debates sobre o aborto começou em decorrência de uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo (01/08). Nesta semana, um site intitulado Marcha Mundial das Mulheres publicou um texto polêmico e para mim, equivocado sobre a reportagem em questão. Nele, o autor(a) acusa a reportagem de criminalizar as mulheres pobres, “foram expostas as mulheres pobres e as clínicas que atendem mulheres pobres”.

Em nenhum momento as mulheres que estavam na clínica foram expostas, nenhuma identidade foi divulgada e os únicos rostos mostrados foram dos “profissionais” que atendem nas clínicas clandestinas. Posso estar errada na minha avaliação, mas a reportagem não “criminalizou” as mulheres que se submetem ao aborto e sim, os locais que fazem este tipo de intervenção cirúrgica, sem os recursos necessários e muitas vezes, sem o mínimo de segurança para a então paciente.

Segundo o texto, as mulheres pobres são empurradas à prática de aborto por um aumento da repressão e ainda acusa a sociedade de impedir que estas mulheres tenham direito sobre seus corpos e suas vidas.

Não são somente as mulheres pobres que recorrem ao aborto, mulheres de todas as classes sociais se arriscam para evitar uma gravidez indesejada, que poderia ter sido evitada, se a gestante usasse os métodos anti-contraceptivos disponíveis. Muitas vezes, esta distribuição é feita de forma gratuita nos postos de saúdes das comunidades carentes.

Os locais mostrados na reportagem cobram em média R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) para realizar um aborto. Este valor é bem alto para mulheres classificadas como pobres. Além disso, a prática de aborto pode causar danos físicos e psicológicos. Então, não é bem mais fácil e inteligente tomar precauções e usar métodos anti-contraceptivos. Em especial o preservativo, que além de impedir uma gravidez indesejada, previne o contágio por doenças sexualmente transmissíveis.

Me contive enquanto redigia todo o texto, mas algumas alegações me revoltam e me obrigam a ser um pouco mais ácida… “O aborto clandestino mata, humilha e pune as mulheres que ousam decidir por suas vidas.”

Faça-me o favor!!! Mulheres que ousam decidir sobre suas vidas???

Quando se faz um aborto, não se está decidindo apenas sobre a sua vida e sim sobre a vida de mais alguém. Se eu não quero ter um filho agora ou eu não posso ter um filho agora, existe uma solução simples e que tornaria todo este debate vão: Uso de preservativo!!! Esta deveria ser a frase de ordem e não “Legalize do aborto!”.

A pauta agora é o número de mulheres que morre ou tem complicações decorrentes de abortos mal feitos. Este é um bom tema para os órgãos que tratam de saúde pública. Todavia, existem outros números tão ou mais preocupantes. Se os números seguirem a tendência da última década, em 2010 mais de 10 mil brasileiros vão morrer por causa da Aids. Muitos deles, nem sabem que estão contaminados.

Se a mulher “que ousa decidir sobre a sua vida” não usa nenhum método anti-contraceptivo e também faz sexo sem preservativo, corre o risco, na melhor das alternativas, de engravidar. É a conclusão é tão óbvia como a conta de 2 + 2 que ensinam na escola. A questão central há muito tempo deixou de ser o aborto e passou a ser a conscientização.

Infelizmente, vivemos em um país onde saúde pública, conscientização e prevenção andam em direções opostas. Se o aborto for legalizado hoje, ou na próxima década, será usado não só por mulheres pobres, como método anti-contraceptivo. Alguém dúvida??? Para mim não, está é a minha única certeza em relação à legalização do abordo aqui.


1 Resposta para “Aborto: muitas dúvidas e uma certeza”


  1. 1 mariana almeida
    20 20America/Sao_Paulo dezembro 20America/Sao_Paulo 2010 às 12:13

    Não sei se vc ainda ver esse comentario, mas vou deixar mesmo assim…
    Como diria aquela frase cliche ‘falar é fácil’, e foi facil pra você falar tudo isso, pois nunca deve ter passado uma situação dificil, como decidir o que você faria se estivesse gravida, aos 20 e poucos anos, sem condições alguma de criar um filho e ainda enfretar a familia e a sociadade, pois o pai do filho que esta na sua barriga não tem nenhum compromisso com você.
    Ai você deve imaginar agora, ‘nossa que menina irresponssavel’, sim. Irreponsavel ao um certo ponto, mas atire a primeira pedra quem nunca transou casualmente. No meu caso, eu tinha uma relação com essa pessoa, e aconteceu de um dia o preservativo não funcionar, na linguagem mais popular ‘estourar’ pois é, depois disso, usei outro metodo, ‘a pilula do dia seguinte’ (que também, não funcionou, e no final… o exame BETA, que também não funcionou.
    E eu fiquei 3 meses pensando que estava com problemas hormanais, ou cisto no ovario, etc e etc..
    Adiei várias vezes a ultra varginal, quando um certo dia, fui, e a médica me mostra UM FILHO, na tela, um menino, grande. Foi um panico, um susto, um sentimento inexplicável, a sensação que seu mundo tinha mudado completamente naquele dia, e mudou mesmo.
    Independente da decisão que eu tomasse, ele mudaria de vez. Hoje, digo e confirmo com todas as letras, é bem mais fácil criar um filho, do que fazer um aborto, não falaria a ninguém pra fazer, me arrependo. Pois ninguém sabe a DOR na alma, a ferida que você vai carregar pra sempre. Mas naquele momento, foi a decisão que eu achei que seria a certa, como a maioria das mulheres que fazem o que fiz. O medo da nova vida, toma conta de você, eu poderia sim, minha familia me apoiaria depois de um tempo, sustentaria meu filho, e eu teria que abrir mão de algumas futilidades que tenho, pra cuidar do meu fruto, eu seria uma ótima mãe, meu filho seria feliz. Mas é uma pena que só vi isso agora, hoje. Depois de uma semana, depois de ter tomado 6 pilulas, de ter tido uma hemorragia, de ter enfrentado medicos, que sabiam que eu tinha abortado, os olhares me recriminando.
    Então, eu nunca recriminei ninguém, conheço mais de 6 mulheres que fizeram, mas passar por isso, ninguém espera. Doi pra sempre, sempre.
    Então, se existe algum castigo pra nos, o castido é dor de carregar esse trauma por toda sua ‘vida’.


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Eu e o Blog

Sou repórter e assessora de imprensa, graduada em Jornalismo pela Unisinos. Natural de Estrela, moro em Triunfo há mais de 20 anos. E sem dúvida aquela é a minha terra. Este blog começou como requisito da cadeira de Jornalismo On line I. No início a idéia não me agradava muito. Com o fim do semestre, minha opinião a respeito de blogs foi se transformando... Nas férias, quando as postagens pararam de ser obrigatórias e a continuidade da página era uma escolha somente minha, percebi que a experiência tinha sido interessante. Estou longe de ser uma “blogueira” de plantão, até porque, quem visitar o blog vai perceber que o espaço entre uma postagem e outra é imenso. Passo meses buscando inspiração e motivação para escrever algo que valha à pena ser postado. Quando consigo atingir esse plano, me empolgo e acabo redigindo vários textos, que são postados imediatamente. Depois... Outros longos meses em busca de novas inspirações...

 

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