Depois de cinco anos trabalhando como assessora de imprensa, voltei para uma redação e isso me deixa muito feliz. No entanto, alguns fatos me fazem repensar toda a minha vida profissional. Enquanto fechava a edição 409, do Jornal /sentinela, que circulou no último sábado (08/12), senti uma revolta tremenda. Estava selecionando as matérias que entrariam no jornal e dei de cara com um texto, dizendo que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou que o governo vetaria qualquer valor acima de 540 reais para o salário mínimo, porque algo acima disso poderia ajudar a colocar em risco o equilíbrio das contas públicas.
Até agora, não sei se acho graça da situação (melhor rir do que chorar), se sinto raiva ou simplesmente decido abstrair e fingir demência para evitar que a minha gastrite se transforme em úlcera.
Um salário mínimo com mais de R$ 540,00 (reajuste inferior a 6%) coloca em risco as contas públicas. Agora reajustes de mais de 60%, que elevaram o salário de deputados, senadores e ministros para a quantia “irrisória” de mais de 26 mil reais por mês, cada um, é totalmente possível de ser absorvido pelos cofres da União.
Não consigo entender qual é a lógica usada pelos poderosos para decidir o futuro da população. O bem comum é deixado de lado sempre. O que mais me revolta é que são eles (os que deveriam zelar pelo povo), os que menos se preocupam ou se importam com os menos abastados.
Há cerca de dois anos, os telejornais regionais noticiaram por semanas, exaustivamente, a greve dos Defensores Públicos do Estado – aqueles que são contratados pelo Governo Estadual, para defender quem não tem condições de pagar pelos serviços de um advogado – Então, por quase dois meses, a população necessitada ficou sem ter quem a defendesse. Motivo da greve: melhores salários. Salário de inicial um defensor público na época: mais de R$ 12.500,00. Podendo chegar próximo dos 20 mil para os defensores da classe final, com mais de 20 anos de serviços prestados.
Hoje, a categoria ganha um salário 33% maior do que em 2008. No entanto, o salário mínimo, base de cálculo da população assistida pela Defensoria Pública teve, no mesmo período, reajuste ínfimos.
Na minha forma utópica de ver as coisas, o correto seria que os defensores, deputados, senadores, ministros e todos os poderes se unissem, em prol dos interessem dos assistidos. Por que não promover uma mobilização ou uma greve, com o objetivo de salários dignos para toda a população??? Mas eles não podem fazer isso, porque um reajuste descente para os trabalhadores colocará em risco as finanças do país e isso impede que os cargos de alto escalão tenham aumento.
Em momentos como este, sinto vergonha de viver no país que eu vivo, vergonha de acreditar muitas vezes que a sociedade pode ser justa e também de ter escolhido uma profissão que me obriga a divulgar coisas tão revoltantes.



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