Há muito tempo tento entender o real significado de “Música Popular Brasileira”. Cresci ouvindo dizer que Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Gal Costa e outros daquela e geração e estilo eram ícones da MPB. Com o passar dos anos, novos nomes surgiram, como Vanessa da Matta, Seu Jorge e mais recentemente, Maria Gadú.
Particularmente, gosto muito destes cantores, coleciono CDs e DVDs dos artistas e assisti a alguns shows – digo alguns, porque infelizmente, meu salário não permite que eu vá a todas as apresentações musicais que eu gostaria. O impedimento não quer dizer que meu salário seja baixo demais, o problema mesmo é o valor dos ingressos, inacessíveis para a 80% ou mais da população brasileira.
É claro que uma vez ou outra, fazemos loucuras para ver de perto um ídolo. Eu fiz há um ano, no dia 16 de março de 2010. Paguei R$ 150,00 pelo ingresso e enfrentei mais de 12 horas de fila para estar presente, no show histórico do Guns In Roses em Porto Alegre. O gasto total foi bem maior, porque incluiu deslocamento, alimentação e água mineral (vendida a R$ 8,00 a garrafinha, pelos ambulantes). Valeu cada centavo investido e cada segundo de espera. Foi a realização de um sonho adolescente, vi no palco Axl Rose e Sebastian Bach (ex-vocalista – do Skid Row) juntos, sacudindo freneticamente as cabeleiras, como faziam na década de 90 e enlouquecendo as fãs com seus agudos inconfundíveis e inimitáveis.
O que um show de Rock tem a ver com MPB? A simples comparação de valores. Os ingressos do show em questão chegavam até R$ 280,00 – na Pista Premium, onde era possível ver as gotas de suor no rosto do Axl. Caro? Sim! Mas estamos falando de um evento esperado há quase duas décadas. O mesmo pode-se dizer sobre o show do ex-Beatle Paul MacCarteney, com ingressos ainda mais caros. Todavia, estamos falando de pop stars, lendas vivas da música mundial, seres humanos que levaram e ainda levam multidões ao delírio, que lotam estádios e que são idolatrados por gerações.
O Cantor Djavan fará em show na capital no próximo dia 24, os ingressos custam de R$ 90,00 a R$ 160,00. O que podemos considerar uma bagatela, se levarmos em conta os valores cobrados para o show de Ney Matogrosso, nos dias 01 e 02 de abril, que se igualam aos shows internacionais.
Este valor pode ser considerado popular???
Música Popular, para mim, é aquela que pode ser usufruída por todos, democrática e com a cara do Brasil. Temos cantores maravilhosos, porém a grande massa não tem acesso à considerada boa música, principalmente, pelo custo tanto dos shows como dos CDs e DVDs.
Para causar mais uma reflexão, comento a notícia que nesta semana, revoltou internautas, artistas e músicos independentes, que defendem a democratização da cultura. A cantora Maria Bethânia conseguiu autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão e criar um blog. A ideia é que o site “O Mundo Precisa de Poesia” traga diariamente um vídeo da cantora interpretando grandes obras.
É aquela velha história de “dois pesos, duas medidas”. Por que Maria Bethânia pode captar mais de um milhão em patrocínios, enquanto outros artistas enfrentam dificuldade de negociação com o Minc, tendo projetos com orçamento inferior a 10% do valor solicitado pela irmã de Caetano Veloso? Será que a explicação está no fato de a ministra da Cultura ser Ana de Hollanda, irmã de Chico Buarque?



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