Lá na década de 80, Renato Russo já esbravejava a frase: “E há tempos nem os santos tem ao certo a medida da maldade” e na música ainda dizia que se a voz de uma determinada pessoa tivesse força igual a imensa dor sentida, o grito acordaria a vizinhança inteira.
É assim que tenho me sentido ultimamente… Me parece, que o ser humano em sua essência é ruim e que só uma pequena porcentagem da humanidade cultiva sentimentos positivos, ou infelizmente, as tragédias ocupam mais espaço no cotidiano, enquanto os bons exemplos passam desapercebidos.
Vejo pessoas mentindo, enganando, traindo para obter algum benefício. Indivíduos que criam perfis e e-mails falsos em redes sociais para ofender e agredir conhecidos e desconhecidos, com o intuito de se divertir ou apenas prejudicar e ferir os outros. Colegas de trabalho que se mostram simpáticos e solícitos, enquanto bolam planos ardilosos para tirar de seu caminho quem lhes parece oferecer algum tipo de ameaça, mesmo que imaginária.
Políticos dão declarações homofóbicas e racistas em rede nacional, dizem se lixar para a opinião pública, desviam dinheiro descaradamente, fraudam licitações, se comportam como escória, enquanto deveriam se preocupar com o bem estar da população e ainda recebem votos nas eleições seguintes. Dinheiro e interesses escusos falam mais alto do que o bem comum.
Nos últimos dias, um desequilibrado invadiu uma escola e matou mais de 10 crianças, um atirador saiu enfurecido com seu carro, disparando contra desconhecidos em uma grande cidade e no centro da nossa capital, um vendedor de guarda-chuvas matou um colega com um golpe de guarda-chuva no rosto. Além, de professores mortos por alunos, alunos agredidos por professores e muitos outros crimes cometidos por pessoas que deveriam zelar pela vítima.
Desculpem-me se estou sendo trágica e até meio dramática no texto, mas é que estou perdendo a fé na humanidade…
Sempre vi meus pais defendendo seus ideais e princípios. Eles me ensinaram a pensar no coletivo, no que realmente importa. Cresci idealista e utópica, acreditando que na vida adulta seria capaz de mudar o mundo com meu pensamento e minhas atitudes. Hoje, me confronto com a realidade. Os valores estão invertidos, a consciência já não mais existe e nem a propaganda da Coca Cola dizendo que os bons são a maioria consegue me animar.
Pode ser que eu esteja passando por uma curta crise existencial, também pode ser TPM ou inferno astral antecipado, pode ser o excesso de chuva dos últimos dias e a proximidade do inverno (período que nunca favoreceu meu otimismo e bom humor). Independente do porquê do meu desânimo com o mundo, o fato é que ele e quem o habita estão doentes.
Falo isso, porque a minha descrença se relaciona também ao futuro da nossa espécie. Somos os únicos seres vivos que destroem o seu habitat, com a justificativa de que tudo é em prol do progresso e da evolução econômica e industrial. Na minha humilde opinião, a mola de tudo é isso é bem mais simples e cruel, trata-se de dinheiro, poder e satisfação individual.
Mesmo diante de tamanha frustração, ainda tenho esperança de que em breve consiga ver as coisas por outro prisma. Que a sensação de que o mundo está sendo tomado por sociopatas desapareça e que de repente, eu perceba que não estou só. Talvez eu tenha provas de que somos muitos, que estamos apenas desagrupados e que juntos podemos transformar algumas coisas e tornar a vida mais agradável e menos difícil para muita gente. Como me disse um querido amigo esta semana: “um louco só não modifica nada, mas meia dúzia… já conseguem fazem bastante barulho”.



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